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Toyota quer exportar mais do Brasil

Na cerimônia que marcou o início das obras da primeira fábrica de motores da Toyota no Brasil, em Porto Feliz (SP), o CEO da empresa para América Latina e Caribe, Steve St. Angelo, afirmou que o grupo está indo “muito bem” no país, mas defendeu a busca de maior competitividade para aumentar as exportações das fábricas brasileiras. “Já produzimos com qualidade para isso aqui, mas temos que negociar os custos, que são muito altos para exportar”, avaliou.

“Meu sonho é exportar daqui para os Estados Unidos, precisamos buscar isso”, disse, lembrando que hoje todos os Corolla vendidos nas Américas saem da planta da Toyota no Mississipi. “Eu só consigo exportar o Corolla que fazemos aqui para a Argentina e lamento muito por isso, porque poderíamos trazer mais riqueza e recursos para cá”, contou o americano St. Angelo, que mora em São Paulo há cerca de um ano, quando assumiu suas atuais funções no grupo.

E quando o sonho de exportar pode virar uma estratégia real? “Só depois de muito trabalho para aumentar a produtividade e reduzir os custos”, afirma o executivo. Ele lembrou a trajetória da montadora na América do Norte: “Nos anos 80, os Estados Unidos eram importadores de Toyota e a empresa decidiu fazer sua primeira fábrica no país. Em 2013 a operação exportou de lá 130 mil carros para todo o mundo. Conseguimos fazer isso com aumento de qualidade e redução de custos.”

Para St. Angelo, é preciso adotar essa estratégia como nação. “Nem preciso dizer o que é necessário fazer no Brasil, porque todos sabem, existem problemas de infraestrutura e altos custos trabalhistas. Se o país trabalhar fortemente para resolver essas questões, ganhará força para exportar.”

 

PARTE DO JOGO

St. Angelo avalia como normal a queda de confiança na economia brasileira. Para ele, isso é parte do jogo em empresas multinacionais. “Todo país tem incertezas, mas se você quiser ser global tem de aprender a lidar com isso”, diz.

O executivo garante que o desempenho da Toyota no Brasil é satisfatório, incluindo o compacto popular Etios lançado em 2012, cujas vendas demoraram a decolar. “O Etios está indo muito bem. Tivemos um começo lento e prestamos atenção a tudo que os concessionários e a imprensa especializada disseram. Apenas sete meses depois do lançamento fizemos várias modificações no carro para agradar mais o consumidor”, afirma.

As exportações também ajudaram. “Na Argentina existe fila de quatro meses pelo carro, e a fábrica de Sorocaba já não consegue atender toda a demanda atual. No momento avaliamos alternativas para aumentar a produção, mas não sabemos ainda o que vamos fazer (em relação à adoção de um terceiro turno), pois queremos crescer de forma sustentável”, conta St. Angelo.

“Nossa visão é que vamos continuar crescendo no Brasil, mas reconhecemos que o mercado está mais restrito, e nesses momentos temos de fazer valer a força da marca. É incrível o nível de reclamações que vemos em outras marcas e temos de tirar proveito disso”, avalia Luiz Carlos Andrade Jr., vice-presidente executivo comercial da Toyota do Brasil. Segundo ele, a empresa espera avançar “pouco” além do desempenho geral do mercado este ano, que deve ficar estagnado. “Vamos fazer algumas intervenções, com o lançamento de versões do Etios. Outro ponto positivo será a chegada do novo Corolla em março, que foi líder de vendas de seu segmento em sete dos dez últimos anos”, explica.

 

MUDANÇA PARA SÃO BERNARDO

A Toyota vai voltar às suas origens no Brasil. No início de 2015, a velha fábrica de São Bernardo do Campo, inaugurada em 1958 e que hoje só produz peças, irá abrigar novamente a sede administrativa da companhia no país. Todas as 250 pessoas que atuam nas áreas comercial, comunicação, financeira e presidência, e estão alocadas em andares alugados na região da Berrini, em São Paulo, vão se mudar para o ABC.

“É uma decisão estratégica que deve aumentar a eficiência de várias áreas que atuavam separadas, como comercial e engenharia de produto, que vão ficar mais próximas em São Bernardo”, explica Andrade Jr. Segundo ele, serão feitas obras de ampliação na unidade para receber os funcionários que antes ficavam em São Paulo.

 

Fonte: Automotive Business

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